Qualidade Total para a Indústria Farmacêutica Brasileira

Vejam esta reportagem no site Valor Econômico sobre as perspectivas da indústria farmacêutica no Brasil. Observem a menção sobre a produção de medicamentos biológicos e reflitam sobre a importância da capacitação e do Controle de Qualidade (aqui destacando todos os assuntos das nossas aulas iniciais) na consolidação da indústria nacional:

http://www.valor.com.br/video/2761648/industria-farmaceutica-diversifica-para-ganhar-novos-mercados-no-brasil

Valeu pela contribuição Rogério Aguiar.

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RDC 17/2010 revogou a RDC 210/2003

Prezados alunos, ao contrário do que foi afirmado durante o nosso seminário realizado na segunda aula de Controle Biológico e Microbiológico de Qualidade de Produtos Farmacêuticos, Correlatos e Cosméticos, a RDC 17 não está vigorando paralelamente com a RDC 210 como ficou sugerido pela apresentação dos alunos. Na verdade a RDC 17/2010 revogou a RDC 210/2003 conforme estabelecido no Artigo 611 – Das disposições finais e transitórias: “Ficam revogadas a Portaria SVS/MS Nº 500, de 09 de outubro de 1997 e a Resolução RDC Nº 210, de 04 de agosto de 2003”. Assim não há duas resoluções que tratam sobre diferentes aspectos das Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos, mas sim apenas a Resolução Nº 17/2010.

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Metaloproteinases e diferenciação de Macrófagos

Considerando o questionamento dos alunos Jorge Rodrigues de Sousa (sobre Metaloproteinases e TNF) e Antonio Rafael Quadros Gomes (sobre diferenciação de macrófagos e malária), segue abaixo algumas considerações sobre estes importantes tópicos de imunologia, juntamente com as referências.

Fas (APO-1, CD95) é uma proteína transmembrana capaz de induzir morte por apoptose em certos tipos de células tumorais (1, 2), sendo expressa em linfócitos ativados presentes em diferentes tecidos tais como o fígado, os pulmões, o intestino e a pele (3, 4). O Fas ligante é uma proteína homóloga ao TNF que é expressa em células T ativadas e células Natural Killer (NK), capaz de induzir a lise celular de células alvo pela ação destas células efetoras. O sistema Fas/FasL tem participação na patogênese de doenças autoimunes, hepatites fulminantes, doença de enxerto-versus-hospedeiro e AIDS (5, 6, 7).

Alguns estudos demonstraram que TNF-a de membrana é processado por metaloproteinases presentes na superfície celular de macrófagos e células T ativadas, a fim de produzir a citocina em sua forma solúvel (8, 9, 10). O tratamento com inibidores específicos da matriz de metaloproteinase levaram ao acúmulo de FasL de membrana celular (p40) na superfície de células T humanas ativadas. Este acúmulo tem relação com a diminuição de FasL solúvel (p27) no sobrenadante, o que indica que as metaloproteinases também estão envolvidas na liberação do FasL da superfície celular (11).

Os Macrófagos são células da resposta imune inata com diversas funções bem estabelecidas, agem na resposta primária frente aos diversos patógenos, na homeostase, na coordenação da resposta imune adaptativa, na inflamação, na resolução e no reparo dos tecidos. Estas células reconhecem “sinais de perigo” através de receptores capazes de induzir programas de ativação especializados e podem assumir fenótipos diferentes dependendo do contexto imunológico. Estímulos do microambiente podem induzir o macrófago para um estado de ativação ou perfil “clássico” (M1) ou um perfil “alternativo” (M2), que são dois extremos de um espectro mais amplo (12, 13).

Os macrófagos do tipo M1 são caracterizados pela expressão de citocinas pró-inflamatórias como IFN-g e TNF-a, óxido nítrico sintetase indutível (Nos2) e moléculas MHC de classe II que são importantes para a morte de patógenos intracelulares. Os macrófagos do tipo M2 apresentam um perfil com a diminuição na expressão das moléculas citadas acima e são identificados pela expressão de outras citocinas (IL-4 e IL-13) e uma ampla variedade de marcadores, tais como a arginase-1 e os receptores de manose e do tipo “scavenger”, sendo importante na resposta imune contra parasitas (13).

Referências:

1. Yonehara, S., A. Ishii, and M. Yonehara. 1989. A cell-killing monoclonal antibody (anti-Fas) to a cell surface antigen co down regulated with the receptor of tumor necrosis factor. J. Exp. Med. 169:1747-1756.

 2. Trauth, B.C., C. Klas, A.MJ. Peters, S. Matzuku, P. Mbller, W. Falk, K.-M. Debatin, and P.H. Krammer. 1989 . Monoclonal antibody-mediated tumor regression by induction of apoptosis. Science (Wash. DC. 245:301-305.

 3. Leithauser, F., J. Dhein, G. Mechtersheimer, K. Koretz, S. Bruderlein, C. Henne, A. Schmidt, K.-M. Debatin, P.H. Krammer, and P. M611er. 1993. Constitutive and induced expression of APO-1, a new member of the nerve growth factor/tumor necrosis factor receptor superfamily, in normal and neoplastic cells. Lab . Invest . 69:415-429.

 4. Nagata, S. 1994 . Fas and Fas ligand: a death factor and its receptor. Adv. Immunol. 57 :129-144 .

 5. Krammer, P.H., J. Dhein, H. Walczak, 1. Behrmann, S. Mariani, B. Matiba, M. Fath, P.T . Daniel, E. Knipping, M.O. Westendorp, et al. 1994 . The role of APO-1-mediated apoptosis in the immune system. Immunol. Rev. 142:175-191.

 6. Nagata, S., and P. Golstein. 1995. The Fas death factor. Science (Wash. DC. 267:1449-1456.

 7. Yagita, H., S . Hanabuchi, Y. Asano, T. Tamura, H. Nariuchi, and K. Okumura. 1995 . Fas-mediated cytotoxicity: a new immunoregulatory and pathogenic function of Th1 CD4+ T cells. Immunol. Rev. 146:223-239.

8. Mohler, K.M., P.R. Sleath, J.N. Fitzner, D.P. Cerretti, M. Anderson, S.S. Kerwar, D.S . Torrance, C. Otten-Evans, T. Greenstreet, K. Weerawama, et al. 1994 . Protection against a lethal dose of endotoxin by an inhibitor of tumour necrosis factor processing. Nature (Lond.). 370:218-220.

 9. Gearing, AJ.H., P. Beckett, M. Christodoulou, M. Churchill, J. Clements, A.H. Davidson, A.H . Drummond, W.A. Galloway, R. Gilbert, J.L . Gordon, et al. 1994. Processing of tumour necrosis factor-a precursor by metalloproteinases. Nature (Lond .). 370:555-557.

 10. McGeehan, G.M., J.D. Becherer, R.C . Bast Jr., C.M. Boyer, B. Champion, K.M. Connolly, J.G. Conway, P. Furdon, S. Karp, S. Kidao, et al. 1994. Regulation of tumour necrosis factor-a processing by a metalloproteinase inhibitor. Nature (Load.). 370:558-561.

 11. Kayagaki, N., A. Kawasaki, T. Ebata, H. Ohmoto, S. Ikeda, S. Inoue, K. Yoshino, K. Okumura, H. Yagita. 1995. Metalloproteinase-mediated Release of Human Fas Ligand. J . Exp. Med. 182: 1777-1783.

12. Martinez FO, Helming L, Gordon S. Alternative activation of macrophages: an immunologic functional perspective. 2009. Annu Rev Immunol. 27:451–83.

 13. Movahedi KLaoui DGysemans CBaeten MStangé GVan den Bossche JMack MPipeleers DIn’t Veld PDe Baetselier PVan Ginderachter JA. Different tumor microenvironments contain functionally distinct subsets of macrophages derived from Ly6C(high) monocytes. 2010. Cancer Res. 70(14):5728-39.

Imagens:

http://www.drthrasher.org/index.html

http://www-dsv.cea.fr

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Mensagem para a Páscoa

Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.

Ele disse: – Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau – É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego.

O outro é Bom – É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, perdão, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:

– Qual lobo vence?

O velho índio respondeu:

– Aquele que você alimenta!


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Imunocromatografia

A imunocromatografia é baseada na detecção de um antígeno específico através de difusão cromatográfica. Anticorpos monoclonais de camundongo específicos para o antígeno MPT 64 do Mycobacterium tuberculosis, por exemplo, são adicionados a uma membrana de nitrocelulose para agir como anticorpo de captura. Outro anticorpo, que reconhece outro epítopo do MPT 64 e está conjugado com partículas de ouro coloidal é utilizado para a detecção em um ensaio do tipo sanduíche. No trabalho mencionado aqui como referência, foram utilizadas 3 tipos de amostras: i) Culturas de Mycobacterium tuberculosis, ii) Cepas vacinais de Mycobacterium bovis bacilo de Calmette–Guérin (BCG) e iii) Culturas de outras Micobactérias. Foi considerado como resultado negativo a presença de apenas uma banda que representava o controle e como resultado positivo a presença de duas bandas.

Entre as 210 amostras de cepas de Mycobacterium tuberculosis isoladas de pacientes em meio específico, o resultado do teste por imunocromatografia foi positivo para 208 casos. Os dois resultados falsos negativos foram devidos à condensação do fluido de teste no meio Löwenstein Jensen quando da aplicação da amostra e, quando o teste foi realizado novamente nestas duas culturas, o resultado deu positivo para ambos. O artigo continua dizendo que todas as demais micobactérias apresentaram resultado negativo para o teste. Assim, a especificidade e a sensibilidade do teste foram de 100% e 99%, respectivamente e o Valor Preditivo Positivo foi de 100% enquanto o Valor Preditivo Negativo foi de 99%.

No entanto, um trabalho desenvolvido e publicado por pesquisadores da UNESP-Botucatu verificou que o teste imunocromato-gráfico para a pesquisa de Helicobacter pylori em cães não foi específico, já que a forma alongada e espiralada encontrada na microscopia de imersão não é compatí-vel com a espécie H. pylori diagnosticada pela sorologia, e sim compatível com a morfologia do Helicobacter helmanni.

Referências:

Marzouk M, Kahla IB, Hannachi N, Ferjeni A, Salma WB, Ghezal S, Boukadida J. Evaluation of an immunochromatographic assay for rapid identification of Mycobacterium tuberculosis complex in clinical isolates. Diagn. Microbiol. Infect. Dis. 2011 Apr; 69(4):396-9.

 Souza, M. L., Kobayasi, S., Rodrigues, M. A. M., Saad-Hossne, R., Naresse, L. E. Prevalência de Helicobacter em cães oriundos do biotério central da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP)-Botucatu. Acta Cir. Bras. 2004.  19(5): 565-570.

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PSORÍASE É UMA DOENÇA AUTOIMUNE?

Pesquisando para responder melhor a este questionamento de uma das alunas da habilitação em Análises Clínicas, encontrei uma ótima revisão de um grupo de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia. Na revisão os autores fazem um apanhado histórico sobre a doença, mencionando sua presença em corpos mumificados do início da Era Cristã, assim como a confusão dos sintomas com aqueles relacionados à hanseníase.

O artigo, baseado em diversas referências utilizadas, continua, afirmando que a Psoríase é a doença mediada por resposta T dependente mais frequentemente diagnosticada no homem e uma das mais comuns doenças de cunho autoimune, com inflamação crônica da pele, lesões eritematosas com padrões variáveis e distribuídas pelo corpo, além de diversos fenótipos clínicos distintos.

No entanto, o artigo também afirma que a patogênese da doença permanece obscura. Fatores genéticos, ambientais e imunológicos estão envolvidos. Muitas evidências deste envolvimento do Sistema Imune na patogênese da Psoríase são sugeridas por diversos estudos. Como alguns exemplos, temos, o desenvolvimento da doença em indivíduos que receberam transplante de medula óssea de pacientes acometidos pela doença, assim como um melhor prognóstico nos pacientes diagnosticados com Psoríase e submetidos à ablação seguida por transplantes de medulas ósseas provenientes de indivíduos saudáveis (não diagnosticados com Psoríase), além da eficácia do tratamento com inibidores do TNF-a, ciclosporina e metotrexato.

O artigo é muito interessante não só pelos conhecimentos sobre a Psoríase, mas também faz um paralelo bastante atual sobre as relações da obesidade com respostas inflamatórias crônicas e o surgimento de doenças autoimunes como a Psoríase.

Dêem uma olhada…

Duarte GV, Follador I, Cavalheiro CM, Silva TS, Oliveira MF. Psoriasis and obesity: literature review and recommendations for management. An Bras Dermatol. 2010 Jun;85(3):355-60.

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CONCILIAR

Família, amigos, trabalho, responsabilidades, aspirações, política, sociedade, gestão… “Tempo, tempo, tempo, mano velho… Vai, vai, vai, vai…1

O início de mais um mês significa muito mais do que o progresso do ano. Abril representa mais um aniversário, três (3) anos do Francisco, como passou rápido! Um mês de aula dada na graduação e muitas tentativas de conciliação.

Confesso que às vezes é desanimador. Em certos momentos parece que você conseguiu uma grande conquista, tudo está acertado com os parceiros e as muitas negociações e resoluções aparentam solidez. Porém, muda a gestão e o trabalho realizado se torna improfícuo. Lamentável, porque o tempo é inexorável e não adianta imaginar ou idealizar um dia com mais do que vinte e quatro (24) horas.

Muitas vezes parece que o senso de dever foi deixado de lado, mas o que devemos considerar como nosso verdadeiro dever? Todos nós assumimos muitos compromissos imaginando-nos capazes de dar conta do recado e conciliar as diversas demandas do nosso dia-a-dia. Cabe ressaltar, porém, que não somos super-homens, tampouco deuses capazes de prever as emoções, vaidades, humores e apetites que permearão nosso ser psíquico e os desejos e aspirações dos nossos convivas no banquete das relações humanas.

O que importa é continuar lutando. Buscar a única coisa que realmente nos faz sentir vivos, a ambição da realização, da conquista, do reconhecimento. O sorriso do meu filho e da minha esposa após uma nova brincadeira ou uma boa conversa, uma tarde compartilhada com os amigos tomando um copo de cerveja e tendo um ótimo bate-papo, uma aula bem dada depois de um bom tempo preparando esta mesma aula.

Ninguém é perfeito, mas em algumas horas do dia, parece que chegamos perto da perfeição, porque “quase” tudo ao nosso redor se torna perfeito. Então, as desilusões são esquecidas e, como tolos estúpidos, acreditamos novamente que aquelas parcerias podem se conciliar com nossas aspirações e apostamos novas fichas.

Às vezes, vencemos…

 

1. Sobre o tempo – Pato Fu

 

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